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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Falências por falta de trabalhadores batem recorde no Japão

Serviços e construção concentram boa parte das falências, enquanto empresas oferecem novos benefícios para atrair e manter funcionários

falta de trabalhadores
As falências provocadas pela falta de trabalhadores atingiram um novo recorde no Japão. Entre abril e setembro de 2026, primeiro semestre do ano fiscal, foram registrados 240 casos, o maior número desde o início do levantamento, em 2013.

Segundo dados da Tokyo Shoko Research, o total aumentou 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando haviam sido registrados 205 casos. Entre as 240 falências, 130 foram relacionadas ao aumento dos custos com mão de obra, 67 à saída de funcionários e 43 à dificuldade para contratar trabalhadores.

A pressão é especialmente forte sobre empresas menores. Das falências registradas no período, 159 ocorreram em companhias com capital inferior a ¥10 milhões. O aumento dos salários, necessário para contratar ou evitar a saída de funcionários, tem agravado as dificuldades financeiras de empresas que já enfrentam custos elevados.

Serviços e construção são os mais afetados
Os setores que mais registraram problemas foram o de serviços, incluindo alimentação e lazer, com 91 casos, e o de construção, com 55. Juntos, eles representaram cerca de 61% das falências relacionadas à falta de mão de obra.

Diante da dificuldade para encontrar funcionários, algumas empresas estão adotando medidas diferentes para atrair e manter trabalhadores. A construtora Konoike, por exemplo, passou a testar períodos prolongados de descanso durante o verão. Entre julho e setembro, trabalhadores de determinados canteiros podem ter nove dias consecutivos de folga em cada mês, totalizando 27 dias no período. A medida também busca reduzir riscos relacionados ao calor.

Outra empresa, a APTI, que atua na área de recursos humanos, criou um programa para ajudar novos funcionários a pagar empréstimos estudantis. O benefício pode chegar a ¥20 mil por mês, até o limite de ¥1,2 milhão, para empréstimos da Japan Student Services Organization (JASSO).

Até refeições viraram estratégia para manter funcionários
Em Tóquio, um restaurante chinês encontrou outra forma de enfrentar o problema.

O estabelecimento percebeu que muitos funcionários valorizavam as refeições oferecidas durante o trabalho e passou a investir em opções mais reforçadas e flexíveis, permitindo, inclusive, pedidos de pratos e retirada da comida para levar para casa. Segundo a reportagem, o restaurante conseguiu deixar de gastar com anúncios para contratação.

O cenário mostra que a disputa por trabalhadores no Japão já vai além do salário. Empresas estão recorrendo a benefícios, melhores condições de trabalho e incentivos para evitar a saída de funcionários.

Para pequenas e médias empresas, porém, o aumento dos custos trabalhistas pode se tornar justamente um fator que ameaça a continuidade dos negócios.
Fonte: Portal Mie com TBS, Tokyo Shoko Research

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Montadoras no Japão mudarão calendário das fábricas para atrair trabalhadores

Setor automotivo japonês quer reduzir trabalho em feriados e melhorar o equilíbrio entre emprego e vida familiar

Novo calendário das montadoras
As montadoras ligadas à Associação dos Fabricantes de Automóveis do Japão pretendem reformular o calendário de funcionamento das fábricas a partir do ano fiscal de 2027, em uma tentativa de tornar o setor mais atraente para trabalhadores e melhorar o equilíbrio entre vida profissional e familiar.

Segundo o plano, uma das principais mudanças será a redução das operações em feriados nacionais.

As empresas também devem rever o modelo atual de folgas concentradas em períodos específicos, como forma de aproximar a rotina das fábricas do calendário seguido pela maior parte da população japonesa.

A medida pode ter impacto direto sobre brasileiros empregados nas linhas de produção, já que o setor automotivo segue sendo um dos que mais concentram mão de obra estrangeira no Japão.

Mudança busca mais equilíbrio para os funcionários
Hoje, grandes montadoras como Toyota e Honda operam com um calendário próprio da indústria.

Nesse modelo, é comum que as fábricas funcionem em feriados nacionais que caem em dias úteis, enquanto as folgas mais longas ficam concentradas no período de Obon e no fim de ano com o feriado de Ano-Novo.

Esse sistema ajudou por muitos anos a melhorar a eficiência da produção, porque concentrava os dias de operação e permitia usar as paradas prolongadas para manutenção de equipamentos e atualizações nas linhas de montagem.

Por outro lado, com o aumento do número de famílias em que marido e mulher trabalham, cresceram as queixas de funcionários que dizem ter menos tempo para ficar com a família.

Outro ponto levantado é que o número de dias de descanso no setor acaba sendo visto como menos favorável do que em outras áreas do mercado de trabalho.

Golden Week e feriados de segunda-feira entrarão no ajuste
Pelo novo modelo, a partir de abril de 2027, os dias úteis dentro da Golden Week passarão a ser dias normais de trabalho.

Em contrapartida, alguns feriados públicos de segunda-feira, que tradicionalmente eram tratados como dias úteis nas fábricas, passarão a ser folga. Mesmo com a mudança, o total de dias anuais de operação das fábricas será mantido.

Em entrevista coletiva realizada em maio, Toshihiro Suzuki, presidente da Suzuki Motor e vice-presidente da associação do setor, afirmou que o objetivo é permitir que os trabalhadores descansem de acordo com o calendário geral do país, recuperem as energias e possam melhorar a produtividade no trabalho diário.

As mudanças também devem se espalhar por toda a cadeia automotiva, já que fornecedores e outras empresas ligadas ao setor precisarão ajustar a entrega de peças e seus próprios cronogramas para acompanhar o novo calendário das montadoras.

Um representante da Confederação dos Sindicatos dos Trabalhadores da Indústria Automobilística do Japão afirmou que espera que as montadoras enfrentem adequadamente os problemas que possam surgir com a alteração dos horários de trabalho.

Segundo ele, a expectativa final é que, no futuro, também seja possível ampliar o número de dias de folga.
Fonte: Portal Mie com Kyodo News / Mainichi Japan

quinta-feira, 19 de março de 2026

Toyota e 41 empresas de Aichi decidem aumentos salariais integrais solicitados pelos sindicatos

Para uma parte das grandes empresas de Aichi, os aumentos salariais solicitados pelos sindicatos foram aceitos

Rengo Aichi
A batalha da primavera (shunto), período de negociações entre as empresas e respectivos sindicatos dos trabalhadores, para aumentos salariais a partir do novo ano fiscal (1º de abril), foi encerrada na quarta-feira (18), após 42 acordos entre as duas partes.

Segundo informações da Rengo Aichi (confederação sindical), a taxa média de aumento salarial permaneceu alta, em 5,66%, após negociações com 41 empresas e também com a Toyota Motor.

Dessas, 22, incluindo a Toyota, concordaram com os aumentos integrais propostos.

Aumentos salariais em Aichi
Este é o sexto ano consecutivo de acordos integrais entre a Toyota Motor e o sindicato dos trabalhadores da Toyota.

O lado dos empregados apresentou 19 cenários diferentes de aumento salarial, categorizados por tipo de cargo e qualificações, sendo que o cenário de maior remuneração exigia um aumento mensal de 21.580 ienes, além de um bônus equivalente a 7,3 meses de salário (0,3 mês a menos do que no ano passado).

Outras empresas que concordaram com as propostas foram: 

  • A Denso anunciou um aumento salarial mensal de 23,5 mil ienes 
  • A Aisin anunciou um aumento salarial mensal de 18 mil ienes

O presidente da Rengo Aichi, Yoji Kachi, declarou: “Observamos que a tendência de aumentos salariais continua em um patamar elevado e que a implementação desses aumentos está progredindo de forma constante. Esperamos que o impulso dessa tendência, criado pelas grandes empresas, se espalhe para as pequenas e médias empresas“.
Fonte: Portal Mie com NHK

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Salários reais no Japão caem pelo nono mês consecutivo

Em setembro, salários reais no Japão caíram 1,4% pelo nono mês seguido, segundo o Ministério do Trabalho. A inflação continua a superar o aumento nominal dos salários.

Salários no Japão
Os salários reais no Japão caíram pelo nono mês consecutivo em setembro, com a alta dos preços de bens e serviços superando os aumentos salariais.

Dados preliminares do Ministério do Trabalho, divulgados na quinta-feira (6), indicam que o pagamento ajustado pela inflação caiu 1,4% em relação ao ano anterior.

O ministério pesquisa mensalmente cerca de 30 mil empresas com no mínimo cinco funcionários.

Em setembro, os trabalhadores receberam uma média de ¥297.145 (cerca de US$1,9 mil). Este valor compreende salário-base, horas extras e outras rendas.

O valor nominal subiu 1,9% anualmente e tem aumentado por 45 meses consecutivos.

Autoridades do ministério enfatizam a necessidade de estender os aumentos salariais a trabalhadores de pequenas e médias empresas e funcionários não regulares.

A meta governamental é um aumento de 1% nos salários reais até o ano fiscal de 2029.
Fonte: Portal Mie com NHK

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Percentual recorde de empresas japonesas planejam aumentos salariais

Mais de 60% das empresas japonesas planejam aumentar os salários no próximo ano fiscal, de acordo com pesquisa da Teikoku Databank

aumentos salariais
Mais de 60% das empresas japonesas — um percentual recorde — planejam aumentar os salários dos trabalhadores no próximo ano fiscal que começa em abril, enquanto lutam para recrutar e reter funcionários, de acordo com uma pesquisa da Teikoku Databank.

A pesquisa, realizada no final de janeiro, revelou que 61,9% das mais de 11 mil empresas consultadas têm a intenção de aumentar salários como parte das negociações anuais de salários que culminam em março.

Cerca de 56% das empresas pesquisadas declararam que planejam aumentar os salários-base, marcando também o percentual mais alto desde que a empresa de dados começou a monitorar essa questão em 2007.

Enquanto os dados não especificam a escala dos aumentos previstos, eles sugerem que o impulso do crescimento dos salários está sendo sustentado e se espalhando mais amplamente, um sinal positivo para o Banco do Japão à medida que visa alcançar um ciclo econômico virtuoso de aumento de salários e gastos estimulando aumentos nos preços impulsionados pela demanda.

Os setores de manufatura, construção e transporte estão entre os mais comprometidos com aumentos salariais, pois são alguns dos mais afetados por essa escassez, revelou o relatório.
Fonte: Portal Mie com Japan Times