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sábado, 28 de maio de 2011

Emprego no Japão: Hora de recomeçar para os dekasseguis

Na década passada, os dekasseguis mandavam do Japão para o Brasil, anualmente, perto de US$ 2 bilhões, segundo estimativas oficiais. Em 2002, mandaram US$ 2,5 bilhões. Eram mais de 300 mil brasileiros descendentes de japoneses, que foram trabalhar na terra de seus ancestrais. Em 2008, veio a crise mundial – e a economia japonesa foi seriamente afetada. E, neste ano, a tragédia com o terremoto seguido de tsunami.



Com tudo isso, quem hoje quer ser dekassegui? Muita gente. Entre os que vieram desempregados pela crise, ou fugidos do cataclismo de 11 de março, há muitos planos para o retorno. Afinal, a região destruída, localizada na costa nordeste do Japão, terá de ser reconstruída. E isso vai exigir muita mão de obra.

Essa, no momento, é uma ideia não só falsa, como perigosa. Quem diz são pessoas que, há anos, lidam diretamente com os esses imigrantes. É o caso de Cori Passos, sócio da Shigoto.com, agência que há 12 anos cuida da colocação e viagem de dekasseguis. Ele disse que a reconstrução, em várias regiões, vai demorar. "Muitas cidades ficam na área contaminada pela radiação atômica", avaliou.

Na Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD), fundada há 14 anos em Curitiba (PR), o tom é o mesmo. Glória Takemoto Hamasaki, que lida diretamente com os interessados, pede "bom senso" aos que querem voltar agora. "Não há condições atualmente. O governo do Japão está com dificuldade em manter as pessoas, garantir comida e água."

As perspectivas são de que a necessidade de mão de obra aumente a partir do fim do ano. O Conselho para o Planejamento da Reconstrução do Japão previu, nos últimos dias, que o trabalho dure dez anos. Além disso, os postos que eram ocupados pelos 14,5 mil mortos (e número semelhante de desaparecidos) terão que ser preenchidos.

Mas ninguém quer esperar. Cori afirmou que muitos já chegam com o passaporte dizendo 'chega lá eu me viro'. "Mas hoje a situação está difícil", disse. Segundo Glória, eles se queixam de que fazem jornada regular de trabalho, de oito horas, e que a hora extra desapareceu.

Há os que querem mudar de emprego. "Eu digo não, estão ganhando pouco mas é garantido. Dá para pagar o aluguel, que é caro. Um casal paga US$ 700 (cerca de R$ 1,12 mil)." Para quem quer voltar ou quem quer ir, a especialista é taxativa: "Eu não aconselho. É bom cada um ficar no seu canto, é um risco ficar se mexendo nessa hora."

Glória salientou o problema da especialização da mão de obra. "Muitos não têm qualificação; aprenderam o trabalho lá no Japão como peões de linha de montagem de banco de veículo, por exemplo. Vão querer um posto de trabalho e não vão encontrar."

Em último caso, o conselho dela é: "Melhor vir do que ir". Afinal, aqui sempre se pode conseguir emprego com um parente, com ajuda de um amigo. "Lá não tem condições."
E há outro ponto, diz Helena Sanada, do Centro de Formação e Apoio do Trabalhador no Exterior (Ciate). "Depois da crise de 2008, o Japão passou a exigir que o dekassegui saiba falar, ler e escrever, ainda que minimamente, o japonês".

O Ciate é mantido pelo Ministério do Trabalho do Japão. Na década de 1990, quando os dekasseguis começaram a chegar, não sabiam nada sobre os costumes e as leis do país. O centro foi criado para orientar. Por mês, cerca de 150 interessados se inscreviam no curso, para aprender a língua japonesa, entre outros conhecimentos. Agora, a procura caiu a quase zero.

Novo cenário – Cori lembrou que o mercado de trabalho japonês mudou bastante. O setor de alimentação sempre esteve entre os que mais empregam. Mas, com o vazamento de radiação da usina de Fukushima e a contaminação de alimentos, as exportações de seus produtos declinaram.

Os dekasseguis que têm voltado desde a crise global de 2008 chegam com pouco dinheiro, constatou Glória, da ABD. Tradicionalmente, eles vinham depois de conseguir guardar uma boa quantia, muitas vezes suficiente para comprar uma casa. "Agora, eles vão embora insatisfeitos, por não terem alcançado seus objetivos." Isso explica também porque muitos querem retornar.

No caso dos que chegam, a ABD procura orientar sobre as condições atuais do mercado de trabalho brasileiro. Uma das saídas indicadas pela associação é a abertura de um negócio próprio.

Japão assiste à revoada dos estrangeiros
Os estrangeiros que deixaram o Japão, depois da tragédia de 11 de março, estão sendo chamados pelos japoneses de Flyjin – os gaijins (estrangeiros) que voaram (fly). Entre eles estavam, até 8 de abril, 7.472 brasileiros.

Os números são do Departamento de Imigração do Ministério da Justiça. Antes do 11 de março, havia no Japão 254 mil brasileiros. Formavam o terceiro maior contingente de dekasseguis, depois dos chineses e coreanos. Cerca de 185 mil chineses, 106 mil coreanos e quase 40 mil americanos também se foram.

O termo Flyjin está sendo usado informalmente em redes sociais e mensagens na internet. Seria uma reação dos japoneses que se mantiveram nos postos de trabalho, enquanto os estrangeiros fugiam. Entre esses, circula na colônia uma resposta pronta. Eles dizem que, nas demissões de 2008, motivadas pela crise econômica mundial, os japoneses foram poupados. E os estrangeiros, dispensados. E aqueles não reclamaram, como fazem agora.
Fonte: Diário do Comércio por Valdir Sanches
Fotos:
Jaime Oide e Sílvia Zamboni/Folhapress

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Trabalhadores podem receber 60% pelos dias parados

Em entrevista à IPCTV, funcionário do Ministério do Trabalho explica como funciona a lei em casos de desastres naturais
Aos poucos, as empresas tentam retomar as atividades, paralisadas por causa do terremoto e tsunami. Esse cenário tem deixado os trabalhadores preocupados, principalmente os terceirizados, como é a maioria dos brasileiros.

Eles sabem que quanto mais tempo parados, maior será o estrago no final do mês. Para amenizar a situação, o governo mantém um subsídio destinado às empresas, que repassam para os trabalhadores que enfrentam dificuldades como agora, por causa dos recentes desastres naturais.

Esse auxílio se chama ¨koyo chosei joseikin¨. Ele é diferente da outra ajuda, o ¨kyugyo teate¨. Segundo Koji Maruyama, funcionário do Ministério do Trabalho, Saúde e Bem-Estar Social, o kyugyo teate é pago pelo empregador sempre que obrigar o funcionário a folgar por conveniência da firma. Já o outro subsídio é repassado pelo governos para as empresas que paralisaram a produção por motivos externos, como o terremoto.

Para receber o koyo chosei joseikin, a empresa precisa atender as exigências do governo. Uma delas é comprovar redução da produçao em mais de 5%, além de estar inscrito no seguro desemprego.
Em entrevista à IPCTV/TV Globo Interncional, Maruyama explica que o valor que o funcionário vai receber varia conforme o contrato e as normas de cada empresa, mas a média é de mais de 60% do salário. Esse cálculo toma como base os últimos três meses trabalhados.

Com relação a demissão de um funcionário durante esse período, Maruyama é taxativo: a empresa não pode demitir alegando dificuldades por causa do terremoto e tsunami. Quem for dispensado nessa situação, deve procurar o balcão de consultas dos escritórios de normas trabalhistas da sua região.

No caso de paralisação por causa do racionamento de energia, normalmente, a empresa não tem obrigação de pagar as horas paradas. Mas ele ressalta que, se a paralisação for além desse período, a firma será obrigada a pagar para o funcionário. esses casos vão ser analisados, porque a dinâmica de cada empresa é diferente.
Fonte: IPC Digital

quinta-feira, 31 de março de 2011

Terremoto leva atividade fabril do Japão à mínima em 2 anos

Desastre interrompeu cadeias de fornecimento e operações de distribuição.
Índice do setor caiu de 52,9 em fevereiro para 46,4 em março.
A atividade manufatureira do Japão caiu ao menor nível em dois anos e teve o maior declínio mensal já registrado, com o terremoto e o tsunami interrompendo cadeias de fornecimento e operações de produção, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (31).

O índice Markit/JMMA do setor manufatureiro japonês caiu de 52,9 em fevereiro para 46,4 em março, a mínima desde abril de 2009.

Os dados são um dos primeiros resultados dos severos danos à produção causados pelo terremoto e o tsunami de 11 de março no nordeste do Japão, que geraram uma crise de segurança nuclear e apagões de energia.

"O impacto da falta de energia, da interrupção da cadeia de fornecimento e a paralisação da atividade de muitas fábricas após o terremoto é grande. Existe a possibilidade de que o índice manufatureiro se enfraqueça ainda mais", disse Takeshi Minami, economista-chefe do Norinchukin Research Institute, em Tóquio.

Na pesquisa, o índice principal caiu abaixo da marca do 50 que separa contração de expansão pela primeira vez em três meses. O declínio mensal excedeu as quedas vistas após o ataques de 11 de setembro de 2011, nos Estados Unidos, e o colapso do Lehman Brothers, em 2008.

O componente de produção fabril caiu de 53,9 para a mínima em dois anos de 37,7 em março, a maior queda já registrada, com uma série de participantes da pesquisa relatando que a falta de energia e problemas logísticos restringiram a produção.

Novo imposto
O governo japonês está considerando introduzir um imposto especial e emitir títulos especiais para ajudar a financiar a ajuda humanitária e a reconstrução após o terremoto e tsunami que devastaram o país nesse mês, informou o Nikkei nesta quinta-feira.

O governo está atualmente elaborando uma legislação que pede a criação de um imposto especial e títulos e a lei também inclui linguagem mais clara que permitiria ao governo solicitar ao Banco do Japão subscrever títulos do governo, disse o comunicado.

Sob a atual lei fiscal, o Banco do Japão pode subscrever diretamente as dívidas do governo apenas em circunstâncias especiais. O imposto especial poderia ser estabelecido como um aumento no imposto corporativo ou no imposto sobre vendas, ou um aumento na taxa do imposto de renda, disse o Nikkei.

O governo pretende apresentar a proposta de lei ao Parlamento até o final de abril.

Tóquio estima que os danos materiais por conta do terremoto de magnitude 9,0 e tsunami devastador na costa nordeste do Japão poderia ultrapassar 300 bilhões de dólares, o que tornaria o desastre no mais caro já ocorrido no mundo.

O governo também pretende compilar diversos orçamentos adicionais para lidar com o desastre, mas o primeiro -- provavelmente a ser compilado até o final de abril -- terá como foco medidas urgentes como a retirada de escombros e a construção de casas temporárias.
Fonte: G1

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Crise de 2008 reduziu os aumentos salariais

Relatório da Organização Internacional do Trabalho mostra que em alguns lugares o nível salarial está no limite que permite a lei
A crise econômica reduziu quase pela metade os aumentos salariais no mundo todo, informou na quarta-feira (15), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), organismo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).
Os aumentos salariais caíram de 2,8% em 2007, para 1,5% em 2008 e 1,6% em 2009. Caso a China fosse excluída da estimativa, a alta salarial média no mundo seria de 0,8% em 2008 e de 0,7% em 2009, de acordo com o "Relatório Mundial sobre Salários 2010/2011" da OIT.
O documento - que reúne dados de 115 países representantes de 94% dos quase 1,4 bilhão de assalariados no mundo - identifica "importantes variações regionais nas taxas de crescimento salarial".
As altas do salário real se mantiveram "consistentes" na Ásia e na América Latina, enquanto na Europa Oriental e na Ásia Central "sofreram forte queda", já que registraram alta de 17% em 2007 e queda de 2,2% em 2009.
Nos países mais avançados, o crescimento do salário real se situou em 2007 a 0,8% e, embora em 2008 tenha caído para 0,5% de média, em 2009 voltaram a registrar aumento de 0,6%.
Para o diretor-geral da OIT, Juan Somavía, "a recessão não só foi dramática para quem perdeu seu emprego, mas também afetou quem consguiu se manter no trabalho, ao reduzir de maneira drástica o poder aquisitivo e o bem-estar geral".
O contraste se acentua ao considerar que, na última década, a média mundial de salários cresceu quase 25%, embora a alta acompanhe os aumentos nas regiões em desenvolvimento, como Ásia e Europa Oriental.
Nos países avançados, os ganhos aumentaram 5% em termos reais durante os últimos dez anos. De acordo com a OIT, o fato "reflete um período de moderação salarial".
Um dos responsáveis pelo relatório, Patrick Belser, calcula que, em 2010, os países do G20 registrarão alta salarial média de 2%, "sem chegar ao nível de antes da crise, mas quase".
Até o momento, metade dos países ajustou seus salários mínimos, o que representou "mudança em relação a crises anteriores, nas quais o congelamento do salário mínimo era a norma", de acordo com o estudo.
Atualmente há maior quantidade de pessoas no limite legal do salário, pois a percentagem de trabalhadores que recebem salário baixo - menos de dois terços do salário médio - cresceu desde meados dos anos 1990 em cerca de 65% dos países.
Assim, a OIT diz que houve "extensa e crescente desigualdade salarial" ao lado de uma "forte discriminação", fruto da persistência de salários baixos e brechas salariais, tanto nos países industrializados como naqueles em desenvolvimento.
Os trabalhadores que recebem pouco tendem a ser, "de forma desproporcional", jovens e mulheres e que pertencem a uma minoria étnica ou racial.
Fonte: IPC Digital

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Nova fábrica da Toyota

Obra da montadora, que começa na quarta-feira com investimento de R$ 1 bilhão, deve gerar 1,5 mil empregos diretos e 5 mil indiretos
A chegada da Toyota, primeira montadora de automóveis a se instalar em Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo, vai produzir uma grande transformação no perfil da cidade. Além de investir R$ 1 bilhão em sua unidade, a montadora japonesa trará outras 12 fabricantes de componentes e fornecedoras de serviços.
A área fica à margem esquerda da rodovia Castelo Branco, que liga a capital ao oeste paulista. No mesmo local, a prefeitura e o governo estadual iniciaram a montagem de um polo de alta tecnologia para incubadoras de empresas, laboratórios e extensões de universidades. Com os lançamentos imobiliários e comerciais previstos para a região, num prazo de cinco anos a área urbana terá uma ampliação de 10 quilômetros, atingindo a beira da rodovia. "O atual mapa de Sorocaba será fortemente alterado", prevê o prefeito Vitor Lippi (PSDB).
A pedra fundamental da fábrica será lançada na quarta-feira com a presença do governador de São Paulo, Alberto Goldman, e do vice-presidente da Toyota Motor Corporation, Atsushi Niimi. A terraplenagem da área de 3,7 milhões de metros quadrados foi concluída. De acordo com a prefeitura, o volume de terra movimentada só foi menor que o da construção do trecho sul do Rodoanel.
A produção de veículos será iniciada em 2012, conforme a previsão da Toyota. Na fase inicial, serão montados 70 mil automóveis por ano, mas, segundo o prefeito, a empresa pretende ampliar gradativamente a planta até a capacidade instalada de 400 mil veículos. "Essa expansão vai depender do mercado", disse. A empresa admitirá inicialmente 1.500 funcionários. Lippi estima a geração de outros 5 mil empregos indiretos.

Valorização
A Toyota se instala na zona norte, região mais populosa da cidade e a única com potencial de crescimento. Nos anos 90, ela concentrou os loteamentos populares para atender moradores de baixa renda. De dez anos para cá, a ocupação se acelerou. A prefeitura estima que nos 260 bairros morem 200 mil pessoas.
Desde que a montadora japonesa instalou o canteiro de obras, em agosto do ano passado, o preço da terra dobrou, segundo o corretor de imóveis Francisco Ávilla. A chegada dos condomínios fechados de médio e alto padrão, segundo ele, contribuiu para a valorização imobiliária, um fenômeno que acabou se espalhando por toda a cidade.
O professor universitário Antonio de Araujo, que se transferiu de Bauru para Sorocaba, conta que teve dificuldade para conseguir um imóvel. "Vendi um apartamento de 315 metros em Bauru e só consegui achar por valor equivalente um de 115 metros aqui", conta Araujo.
O diretor geral do Sindicato da Habitação (Secovi) em Sorocaba, Flávio Amary, acredita que as áreas livres no entorno da Toyota serão ocupadas por empreendimentos imobiliários de vários níveis, para atender tanto trabalhadores das linhas de montagem, como prestadores de serviços, técnicos e executivos. "Nesse processo, a região deve atrair o comércio e, com ele, agências bancárias e outros serviços."
Dois shoppings centers tomaram a dianteira - um deles, o Plaza Shopping Itavuvu, terá 200 lojas, um hipermercado, cinemas e estacionamento para 1,5 mil veículos. A empresa Proactiva instalou um centro de gerenciamento ambiental em área próxima, licenciado para receber resíduos industriais.
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) vai construir escola para mil alunos. O prédio, em área de 24 mil metros doados pelo município, começa a funcionar junto com a Toyota.
A prefeitura anunciou o prolongamento e a duplicação da Avenida Itavuvu, uma das principais da zona norte, até a rodovia Castelo Branco. O plano é construir uma ciclovia ao longo da pista - a cidade já dispõe de 65 quilômetros desse tipo de via.
O governo estadual assumiu a construção de viadutos e alças de acesso da rodovia à fábrica, obra de R$ 80 milhões. O município já investe R$ 150 milhões na construção de 33 quilômetros de avenidas para melhorar o trânsito. A região deve receber quatro das oito escolas que serão construídas até 2012 para 15 mil alunos do ensino básico.
Fonte: O Estado de S. Paulo

terça-feira, 20 de julho de 2010

Governo corta auxílio aos desempregados sem moradia

Os motivos foram a baixa procura e as fraudes
O Ministério do Trabalho, Saúde e Bem-estar Social decidiu acabar com o financiamento para trabalhadores que perderam emprego e moradia em consequência da crise econômica. Além da falta de procura, o ministério alega grande número de fraudes como principais motivos do fim do programa.
O shuushoku antei shikin yuushi seido (financiamento de recursos para estabilização do emprego) foi criado em dezembro de 2008 para ajudar os trabalhadores desempregados e despejados dos alojamentos. Os usuários do programa podiam receber empréstimos para cobrir gastos diários e recursos para alugar imóveis.
Até o final de abril, foram feitos 11.524 empréstimos, dos quais 365 tiveram fins fraudulentos. Segundo o ministério, esses casos representam um dano de 430 milhões de ienes aos cofres públicos. Do total de golpes, 59% acabaram com o desaparecimento dos beneficiados após o pagamento enquanto 41% foram de falsa perda de emprego e moradia.
Fonte: IPC Digital

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Lei garante adicional de 50% para quem faz mais de 60 horas extras

O adicional também pode ser trocado por dias de folga
A lei japonesa garante acréscimo de 50% ao valor recebido por horas extras (zangyoo) que excederem o teto de 60 horas mensais.
A mudança, aprovada pelo Parlamento japonês em dezembro de 2008, faz parte da reforma trabalhista promovida pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar Social e entrou em vigor no mês de abril.
Por enquanto, a lei não abrange pequenas e médias empresas, mas será estudada a extensão para esses setores dentro de três anos (confira a classificação das empresas no final desta reportagem). Segundo o governo, o objetivo é reduzir a jornada de trabalho, garantir a saúde dos trabalhadores e promover o equilíbrio entre o tempo gasto com a vida pessoal e o trabalho.
Uma pesquisa do Ministério dos Assuntos Internos e das Comunicações havia mostrado que 10% dos trabalhadores têm jornada de trabalho de mais de 60 horas semanais. Desse total, 20% são homens na faixa de 30 anos de idade com filhos.
As horas extras que excederem o teto de 60 horas por mês também podem ser trocadas por dias de folga ou redução da jornada diária, com possibilidade de flexibilizar o horário de trabalho, para chegar mais tarde ou sair mais cedo. No entanto, caso o trabalhador não consiga tirar a folga, o empregador terá de pagar os 50%.
Segundo Kiyoshi Ochi, que trabalha com assessoria e consultas em casos trabalhistas há 15 anos, problemas no pagamento de horas extras podem ser resolvidos diretamente no Escritório de Inspeção de Normas Trabalhistas (Roodoo Kijun Kantokusho) mais próximo. Os documentos necessários são a cópia do cartão de pontos e o holerite. “Os funcionários vão ligar e cobrar uma posição da empresa envolvida”, explica, frisando que, nos escitórios de Normas, não há tradutores e, por essa razão, é recomendável ir acompanhado de alguém que entenda bem a língua japonesa.
Ochi afirma que já auxiliou casos de brasileiros que fizeram horas extras, mas não tinham contrato assinado. “Se a pessoa aceitou um acordo verbal e foi lesada no pagamento, não adianta reclamar porque foi cúmplice”, admite. Outra situação comum, segundo Ochi, é a de trabalhadores que, mesmo no prejuízo, não reclamam para continuar trabalhando. Ele ressalta que, quando o funcionário reclama do pagamento de horas extras no Escritório de Inspeção de Normas Trabalhistas muitas vezes seguidas, a firma decide pela demissão em represália ao trabalhador. “Se quem foi mandado embora quer lutar pelo pagamento retroativo, vale a pena. Mas se ainda está trabalhando, é preciso pensar se está em condições de conseguir outro emprego”, analisa.
Critérios para definir empresa de pequeno e médio porte:
No Japão, empresas de pequeno e médio porte são defi nidas segundo o valor do capital, o número de funcionários e o setor a que pertencem. Qualquer um dos dois quesitos pode ser aplicado. O critério vale para a empresa como um todo, em caso de haver mais de uma unidade.
Por capital
Varejista - Abaixo de ¥ 50 milhões
Serviços - Abaixo de ¥ 50 milhões
Atacadista - Abaixo de ¥ 100 milhões
Outros - Abaixo de ¥ 300 milhões

Por número de funcionários
Varejista - Menos de 50 pessoas
Serviços - Menos de 100 pessoas
Atacadista - Menos de 100 pessoas
Outros - Menos de 300 pessoas
Fonte: IPC Digital

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Governo vai deportar empresários estrangeiros que contratam trabalhadores ilegais

Medida estava prevista na nova lei de imigração e entra em vigor em julho
O Japão começa no dia 1º de julho a punir os empresários estrangeiros que contratam trabalhadores ilegais de forma direta ou indireta. Casos extremos podem levar à deportação.
A medida faz parte da campanha de prevenção ao trabalho ilegal do governo e antecipa a mudança na Lei de Imigração aprovada em 2009.
Os brasileiros podem ser beneficiados pela medida.
Fonte: IPC Digital

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Brasileiro poderá se aposentar no Japão; japonês, no Brasil

Os governos do Brasil e do Japão estão em fase final de negociações sobre o sistema previdenciário dos dois países, informa o jornal Folha de S.Paulo.
O acordo permitirá que os brasileiros que trabalham no Japão se aposentem por lá. A contribuição feita aqui no Brasil contará para que o governo do país asiático pague a aposentaria. Reciprocamente, os japoneses que moram no Brasil terão o mesmo tipo de benefício.
Em um evento no Japão, a chefe do setor de comunidades da Embaixada do Brasil em Tóquio, Patrícia Cortes, deixou claro que a negociação está muito perto de ser concretizada. “Existe toda uma burocracia, mas ele [o acordo] está em um momento final e nós gostaríamos muito de poder anunciá-lo em encontro em 1º de agosto”, disse Cortes, como relata o jornal.
Atualmente, lembra a Folha, 240 mil brasileiros moram no Japão, enquanto 90 mil japoneses vivem no Brasil.
Fonte: Radar Econômico

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Brasileira investe em franquia de chocolate

Ex-operária de fábrica, a empreendedora fala como foi abrir a própria loja
Nem mesmo os efeitos da crise econômica impediram Maria Salete Teixeira Ono, 52, de realizar o sonho de abrir o próprio negócio.
Enquanto muitos estabelecimentos fecharam suas portas no arquipélago, Maria inaugurou em janeiro deste ano uma unidade da franquia brasileira Fábrica di Chocolate na unidade de Handa (Aichi) do supermercado japonês Valor, com o apoio do marido e da filha.
Fonte: IPC Digital

Hortaliças se transformam no ganha-pão de família

Comunidade em Gifu tem oferta de verduras brasileiras
Hoje em dia, encontrar ingredientes da culinária brasileira é fácil em regiões com grande concentração de brasileiros.
Mas, graças ao trabalho de Aparecida Katsuko Miyakawa, 59, de Kani (Gifu) os brasileiros da província levam vantagem quando o assunto é verduras e legumes.
Há seis anos, Cida, como é chamada, transformou seu hobby, que começou no jardim de uma fábrica de amortecedores, na principal fonte de renda da família durante a crise. O que sobrava, ela doava para famílias em dificuldades.
Hoje, as “verduras da Dona Cida” conquistaram até o paladar dos japoneses que frequentam o ponto de venda aos fins de semana, no Centro Multicultural de Kani Frevia.
No início, Cida contou com a aprovação do encarregado de seção da fábrica de amortecedores KYB para produzir as hortaliças no jardim. Passou, então, a vender a baixo
custo para conhecidos. A confiança e amizade fizeram com que o superior emprestasse a própria casa para a brasileira, quando ele se mudou.
“Ele construiu uma nova casa e não tinha ninguém para cuidar da antiga, que tinha um terreno anexo”, lembra Cida, que continuou a plantar na nova moradia.
Em 2009, demitiu-se da fábrica para fazer curso de helper. Mas sem perspectivas de achar trabalho, passou a dedicar-se exclusivamente à agricultura. Teve ajuda extra do ex-patrão, que doou mais dois terrenos em Sakahogi e Mitake (ambas em Gifu).
Agradecida pelo apoio recebido da Associação Frevia, Cida cozinha pratos brasileiros com as hortaliças e oferece aos visitantes e funcionários. Luisa Koike, 60, conheceu a brasileira nas aulas de japonês da associação há dois anos e desde então se tornou freguesa.
A filha Karina, que se mudou para Kani, conta que, se depender da qualidade dos legumes, também vai comprar. “Para mim, estão aprovadas”, afirma Karina, que só não saiu mais satisfeita por não ter chegado a tempo de comprar couve.
Os japoneses também estão aderindo aos legumes e verduras de Cida. “Faço receitas nos eventos. Eles gostam e depois fazem encomendas. Toda semana levam”, comenta.
Fonte: IPC Digital

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Ministério do Trabalho abre curso de japonês em três províncias

Curso, que já existia em Kanagawa, vai para Gunma, Saitama e Shiga
O curso da língua japonesa voltado à recolocação profissional de sul-americanos entra em seu segundo ano sob a coordenação do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar Social.
São três níveis: iniciante (nyuumon), para quem não sabe hiragana e katakana; básico
(shokyuu); e aperfeiçoamento (skill-up), para quem pretende fazer cursos de capacitação.
As turmas das províncias de Gunma, Saitama e Shiga começam as aulas no final de maio.
Fonte: IPC Digital

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Okinawa e Kyoto lideram ranking de contrato de mão-de-obra temporária

Ranking mostra as províncias cujo percentual de contrato temporário ou terceirizado é maior
Das 47 províncias japonesas, Kyoto e Okinawa são as que têm maior percentual de trabalhadores não regulares (hiseki shuugyoosha), ou seja, todos os que não são empregados efetivos, como temporários e terceirizados - se comparados com o total da mão-de-obra contratada.
Tokushima e Toyama são as províncias que possuem menor percentual de trabalhadores desse tipo.
Fonte: IPC Digital

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Mudanças no seguro-desemprego

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social diminuiu as exigências feitas para o recebimento do seguro-desemprego, e realizou um ajuste no valor pago em conjunto por empregadores e trabalhadores.
As mudanças visam aumentar a quantia paga aos desempregados e também aumentar a base de beneficiados. Essas medidas são parte da Reforma Trabalhista, que concentra-se em três pontos: tempo de serviço para requere o seguro, valor da contribuição e ampliação da retroatividade. O tempo de carência para trabalhadores temporários, que era de 6 meses, caiu para 31 dias.
As empresas que contratam temporários ou terceirizados são obrigadas a registrar o trabalhador no seguro-desemprego e informar a Hello Work até o dia 10 do mês seguinte da contratação.
O aumento no valor passa de 0,8% sobre o salário para 1,2%, quantia que é dividida entre empregado e empregados. Quanto a retroatividade, aqueles que contribuíram com a parcela relativa ao seguro-desemprego mas não tiveram os pagamentos registrados na Hello Work agora podem ter o pagamento reconhecido, desde que comprovem que pagaram.
O período de cobertura do benefício varia conforme o tempo de contribuição.
Fonte: ABD com Jornal NippoBrasil

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Vulcão ativo suspende 22 voos Narita-Europa

O vulcão entrou em atividade na Islândia colocando os voos para o continente em perigo
Cerca de 22 voos entre Japão e Europa foram cancelados na sexta-feira (16) por causa da erupção de um vulcão na Islândia. As cinzas lançadas pelo vulcão colocam os voos em perigo. Segundo o jornal Yomiuri, há brasileiros a espera para embarcar.
Partidas do aeroporto de Narita da Japan Airlines (JAL) com direção a Londres, Paris, Frankfurt e Amsterdã foram suspensas, além de voos da All Nippon Airways (ANA) para Paris, Frankfurt e Amsterdã.
A British Airways e a Air France foram obrigadas a cancelar algumas conexões.
Na Inglaterra, o aeroporto de Heathrow, onde circulam por dia cerca de 180 mil passageiros em 1.300 voos, suspendeu todas as operações.
A Islândia fica ao noroeste da Inglaterra.
Fonte: IPC Digital com EFE

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Famílias de dekasseguis querem acordo com Japão para execução de pensão alimentícia

A situação de famílias abandonadas por dekasseguis - descendentes de japoneses que vão trabalhar no Japão - somente será resolvida se o governo japonês assinar acordo internacional de execução de pensão alimentícia. Do contrário, esposas, filhos e parentes que ficaram no Brasil continuarão a enfrentar sérias dificuldades financeiras.
A afirmação foi feita nesta quarta-feira (14) pelo presidente da Associação das Famílias Abandonadas por Dekasseguis, Djalma Straube, em audiência pública destinada a discutir o tema, realizada pelas comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) e de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH).
A associação, fundada em 1992, estima que há no Brasil entre dez e 15 mil famílias em situação de abandono, a maioria formada por esposas que foram abandonadas por seus maridos dekasseguis.
Presente ao debate, o juiz de Direito da 2ª Vara Civil de Paracatu (MG), Rodrigo Melo Oliveira, disse que um dos caminhos para a solução do problema seria o Japão assinar, a exemplo do Brasil e outros países, a chamada Convenção de Prestação de Alimentos no Estrangeiro.
Pela convenção, ratificada em 1956 em Nova Iorque, o país signatário, comunicado oficialmente pela autoridade judicial, tem o poder de dar encaminhamento a questões jurídicas envolvendo estrangeiros, como o pagamento de pensão alimentícia.
Representando no debate o Ministério das Relações Exteriores, Aloísio Gomide garantiu que Brasil e Japão vêm mantendo negociações no sentido de resolver o problema. Ele disse que o ministério chegou a criar grupos de trabalho para tratar do assunto. Mas reconheceu que a situação dos dekasseguis no Japão agravou-se após a crise financeira de 2008, devido ao fechamento de muitos postos de trabalho. O senador Romeu Tuma (PTB-SP) informou que muitos dekasseguis estão com dificuldade de retornar ao Brasil por falta de dinheiro.
O senador Flávio Arns (PSDB-PR), que junto com o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foi o autor do requerimento que resultou na audiência pública, propôs que o Ministério das Relações Exteriores envie mensalmente, às duas comissões, relatórios sobre o andamento das negociações.
Preocupado com o problema dos imigrantes, o senador Geraldo Mesquita Júnior (PMDB-AC) informou que irá apresentar na próxima reunião do Parlamento do Mercosul proposta que cria uma comissão permanente para tratar, exclusivamente, de temas relacionados à imigração.
Representando as famílias dos dekasseguis, Aparecida Kayaki contou que seu marido foi trabalhar no Japão em 1995, com o compromisso de levar a família depois. Com o passar dos anos, deixou de remeter dinheiro para ela e os dois filhos, agravando a situação. Emocionada, disse que muitas famílias enfrentam o mesmo problema, razão pela qual pediu às autoridades brasileiras que "façam alguma coisa em favor de famílias que vivem esse drama".
Fonte: Cláudio Bernardo / Agência Senado

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Polícia de Shiga contrata mais três brasileiros

Eles se juntaram a outros doze que ajudam a divulgar entre os jovens da comunidade as leis e regras do país
A Divisão para Menores da polícia de Shiga contratou mais três brasileiros para fazerem parte do projeto Apoio Educativo da Polícia aos Jovens Menores Estrangeiros, iniciado em setembro de 2009.
No domingo (4), foi realizado o treinamento dos novos contratados.
Eles trabalharão por seis meses e se somam a outros doze que já participam do projeto.
Os brasileiros serão divididos em grupos de dois ou três membros e irão falar nas escolas sobre prevenção da marginalização de jovens e regras de trânsito.
Eles ainda devem participar de eventos e fazer panfletos e informativos sobre regras e leis.
O objetivo é orientar os jovens estrangeiros sobre as leis e regras da sociedade japonesa. A iniciativa é pioneira em se tratando de governo provincial.
O projeto foi criado utilizando a verba do governo destinada a gerar emprego.
Fonte: IPC Digital

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Vendaval suspende voos em Tokyo

Segundo o jornal Yomiuri, seis pessoas teriam ficado feridas
Japão , Tokyo - Efe

Cerca de 84 voos foram cancelados no aeroporto de Haneda, em Tokyo, na sexta-feira (2) devido ao vendaval que antigiu a capital. Algumas linhas de trem-bala e da malha ferroviária urbana foram temporariamente paralisadas.
Até a manhã de sexta-feira, 54 voos domésticos da Japan Airlines e 30 da All Nippon Airways foram suspensos prejudicando mais de 13 mil passageiros.
Segundo o jornal Yomiuri, seis pessoas teriam ficado feridas ao serem atingidas por objetos carregados pelos fortes ventos que alcançaram 108 quilômentros por hora.
A Agência de Meteorologia emitiu alerta de rajadas de ventos, chuvas torrenciais e fortes ondas em Kanto.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sem medo de recomeçar

Aos 54 anos, brasileiro aprende nova profissão e está pronto para voltar ao mercado

No primeiro dia de trabalho de janeiro de 2009, o paulistano Seiko Shiira, 54, chegou à fábrica onde trabalhava e foi comunicado sobre o corte dos funcionários. Foi um triste início de ano novo. Mas ao comparecer à Hello Work de Hamamatsu (Shizuoka) para dar entrada no seguro-desemprego, viu alguns folhetos em português e decidiu aprender um novo serviço sem se preocupar com a idade. Até então, nos 14 anos em que vive no Japão, sempre havia trabalhado com prensa em indústrias de autopeças.
O primeiro folheto que Shiira encontrou era sobre o curso grátis do idioma japonês Chance! Nihongo, ministrado pela Hice (Fundação para Comunicação e Intercâmbio de Hamamatsu). Lá estava Shiira de volta ao banco escolar, com lápis, borracha e caderno em mãos.
Hoje são réguas milimétricas e esquadros de precisão que Shiira manipula. Isso porque, ao concluir o Chance! Nihongo, decidiu encarar o desafio de sse ubmeter aos testes para ingressar no curso de torneiro mecânico do Colégio Técnico de Hamamatsu, em setembro do ano passado. “Tinha 17 japoneses inscritos, o único brasileiro era eu e fiquei surpreso quando me aprovaram”, conta. “Teve teste de katakana, hiragana, kanji, matemática, mas acredito que o mais importante foi a entrevista, porque mostrei força de vontade em aprender uma nova profissão.”
O curso começou em outubro e está previsto para encerrar em março. Durante o período de aprendizado, Shiira recebe da Hello Work uma ajuda de pouco mais de 100 mil ienes mensais para se manter por estar desempregado. Basicamente as aulas práticas são ministradas em um torno mecânico convencional, fresadora e torno de controle numérico NC para usinagem de peças.
O objetivo é formar técnicos habilitados para trabalhar nas indústrias de maquinarias e manufatura de peças. “No meu dia a dia de curso, o professor e os colegas me ajudam muito, pois é a primeira vez que vejo esses desenhos técnicos. É preciso interpretá-los, regular o torno de acordo com as especificações técnicas e fresar o metal até o acabamento final. Em seguida, com réguas de precisão, checar se estão dentro da medida-padrão”, explica.
Ao concluir o curso, o Colégio Técnico de Hamamatsu poderá indicar os formandos para as empresas. “Não existe promessa de emprego”, diz Shiira. “Mas com as indicações, terei uma chance a mais para encontrar uma colocação no mercado de trabalho”, conclui.
Fonte: Nippo Brasil, reportagem: Osny Arashiro/IPC

sexta-feira, 26 de março de 2010

Crise muda hábitos de consumo dos dekasseguis

Um dos principais motivos da ida de brasileiros para o Japão é o alto índice salarial do país. Com a crise econômica, a realidade mudou: o salário pago ficou menor e houve uma diminuição nas horas extras, reduzindo os rendimentos mensais dos dekasseguis.
Com essa redução de salário, os brasileiros se viram obrigados a mudarem seus hábitos de consumo e tiveram que reaprender a economizar. Até pouco tempo atrás, era comum ver brasileiros gastando em restaurantes, carros, viagens e ainda assim conseguiam juntar dinheiro.
Mário Goto, morador de Yatomi, presenciou essa situação na fábrica em que trabalhava. Ele afirma que só conseguiu se manter no Japão graças ao corte de gastos que estabeleceu. Ele conta, como exemplo, que passou a andar de bicicleta – poupava combustível e ainda ajudava em sua saúde.
A aromaterapeuta Kátia Sakugawa possui um negócio voltado para brasileiros. Ela sentiu diretamente a queda no consumo dos dekasseguis, já que seus rendimentos caíram mais de 50%. A alternativa encontrada foi voltar a morar com os pais, que também possuíam uma pequena horta, da qual eles retiravam seu próprio alimento.
Já Priscila Kiguti e seu marido possuíam uma vida estabilizada, e por isso gastavam bastante. Viagens, carros, roupas e jantares faziam parte da vida do casal. Eles já planejavam viajar para a França quando Priscila teve uma redução de 100 mil ienes em seu salário. Ela afirma que não imaginava que teriam uma crise como essa, e se diz feliz por ter adiado a viagem. Os hábitos do casal mudaram: passaram a comer em casa, lavar as roupas com água do ofurô, reduziram gastos com telefone e compras. Ela afirma que eles aprenderam a economizar.
O futuro em relação aos salários é incerto, mas os dekasseguis tem esperança que a situação melhore.
Fonte: ABD - associação brasileira de dekasseguis