Serviços e construção concentram boa parte das falências, enquanto empresas oferecem novos benefícios para atrair e manter funcionários
As falências provocadas pela falta de trabalhadores atingiram um novo recorde no Japão. Entre abril e setembro de 2026, primeiro semestre do ano fiscal, foram registrados 240 casos, o maior número desde o início do levantamento, em 2013.Segundo dados da Tokyo Shoko Research, o total aumentou 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando haviam sido registrados 205 casos. Entre as 240 falências, 130 foram relacionadas ao aumento dos custos com mão de obra, 67 à saída de funcionários e 43 à dificuldade para contratar trabalhadores.
A pressão é especialmente forte sobre empresas menores. Das falências registradas no período, 159 ocorreram em companhias com capital inferior a ¥10 milhões. O aumento dos salários, necessário para contratar ou evitar a saída de funcionários, tem agravado as dificuldades financeiras de empresas que já enfrentam custos elevados.
Serviços e construção são os mais afetados
Os setores que mais registraram problemas foram o de serviços, incluindo alimentação e lazer, com 91 casos, e o de construção, com 55. Juntos, eles representaram cerca de 61% das falências relacionadas à falta de mão de obra.
Diante da dificuldade para encontrar funcionários, algumas empresas estão adotando medidas diferentes para atrair e manter trabalhadores. A construtora Konoike, por exemplo, passou a testar períodos prolongados de descanso durante o verão. Entre julho e setembro, trabalhadores de determinados canteiros podem ter nove dias consecutivos de folga em cada mês, totalizando 27 dias no período. A medida também busca reduzir riscos relacionados ao calor.
Outra empresa, a APTI, que atua na área de recursos humanos, criou um programa para ajudar novos funcionários a pagar empréstimos estudantis. O benefício pode chegar a ¥20 mil por mês, até o limite de ¥1,2 milhão, para empréstimos da Japan Student Services Organization (JASSO).
Até refeições viraram estratégia para manter funcionários
Em Tóquio, um restaurante chinês encontrou outra forma de enfrentar o problema.
O estabelecimento percebeu que muitos funcionários valorizavam as refeições oferecidas durante o trabalho e passou a investir em opções mais reforçadas e flexíveis, permitindo, inclusive, pedidos de pratos e retirada da comida para levar para casa. Segundo a reportagem, o restaurante conseguiu deixar de gastar com anúncios para contratação.
O cenário mostra que a disputa por trabalhadores no Japão já vai além do salário. Empresas estão recorrendo a benefícios, melhores condições de trabalho e incentivos para evitar a saída de funcionários.
Para pequenas e médias empresas, porém, o aumento dos custos trabalhistas pode se tornar justamente um fator que ameaça a continuidade dos negócios.
Fonte: Portal Mie com TBS, Tokyo Shoko Research



















