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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Agências fecham e param de recrutar

Agências fecham e param de recrutar

Gilberto Yoshinaga e Adriana Ferraz
do Agora

O alto índice de desemprego entre os brasileiros no Japão tem refletido diretamente nas agências brasileiras que recrutam decasséguis.

Só no bairro da Liberdade (região central de SP), 80% das agências fecharam desde que as fábricas japonesas começaram a demitir em massa --por volta de setembro do ano passado. "A região tinha cerca de 180 agências recrutadoras e, atualmente, só 36 ainda funcionam. E esse número deve cair ainda mais", afirma Cori Passos, proprietário da agência Shigoto.

Ele conta que, até agosto do ano passado, sua agência enviava entre 30 e 40 pessoas por mês para trabalhar no Japão. Em setembro, esse número começou a despencar: foram 21 contratações em setembro, nove em outubro, seis em novembro, duas em dezembro e nenhuma desde o início deste ano.

Por outro lado, a agência passou a ser contatada por brasileiros que ainda estão no Japão e não têm dinheiro para voltar.

domingo, 6 de setembro de 2009

Dekassegui prefere viver crise no Japão Mesmo sem emprego, poucos pretendem voltar para o Brasil

Dekassegui prefere viver crise no Japão
Mesmo sem emprego, poucos pretendem voltar para o Brasil

O iPhone de Carlos Zaha toca de maneira incessante. Do outro lado da linha estão brasileiros prestes a serem despejados, sem dinheiro para alimentar a família ou que buscam abrigo depois de perderem a casa onde moravam.

As conversas ocorrem em Hamamatsu, cidade japonesa que concentra o maior grupo de dekasseguis, que atravessaram o mundo nos últimos 20 anos em busca de trabalho na terra de seus antepassados.

A crise que abalou o mundo a partir de setembro teve efeito devastador sobre a comunidade brasileira da cidade, que registrava um índice de desemprego de 61% no mês de fevereiro, segundo pesquisa encomendada pela prefeitura.

Seis meses depois, a situação continua a mesma, afirma Zaha, que comanda a Associação Brasil Fureai, criada em dezembro com o objetivo de amparar os dekasseguis vítimas do terremoto financeiro.

Fureai significa solidariedade em japonês e a entidade conta com ajuda de 140 voluntários que visitam as famílias em dificuldades. Desde sua criação, a associação distribuiu 1.000 cestas básicas a brasileiros, doadas pelos que ainda têm emprego ou por supermercados de dekasseguis e japoneses.

"Muitas pessoas não têm dinheiro para nada", disse Zaha ao Estado . A cidade de 800 mil habitantes tinha 20 mil brasileiros há um ano. O número caiu para 17,6 mil no mês passado, depois que várias famílias decidiram retornar ao Brasil..

Dos 317 mil dekasseguis que viviam no Japão há um ano, 47 mil voltaram para a casa em razão do aumento do desemprego. Desses, 3.400 mil usaram a ajuda oferecida pelo governo para os imigrantes deixarem o país - 300 mil ienes (US$ 3.200) para o chefe de família e 200 mil ienes (US$ 2.130) por dependente. Outras 6.600 aguardam a liberação do dinheiro para embarcarem de volta ao Brasil.

INSEGURANÇA

Mas, apesar das dificuldades, a maioria prefere continuar no Japão. "Espero conseguir ficar aqui. O Brasil dá uma sensação de insegurança e incerteza", afirmou Fernando Tamayoshi, 28, casado e pai de três filhos.

Nos últimos 12 anos, Tamayoshi passou três temporadas no Japão, em um total de nove anos. A mais recente teve início em 2005, quando o brasileiro arrumou emprego em uma fábrica de Hamamatsu. No início do ano Tamayoshi foi kubi, palavra que significa pescoço e que na gíria local é usada para se referir aos cortes realizados pelas empresas.

As dificuldades dos imigrantes foram amenizadas por medidas emergenciais do governo e pelo recebimento do seguro-desemprego, pago por um período que varia conforme o tempo de contribuição de cada um.

Demitido, Tamayoshi foi contratado como temporário da prefeitura de Hamamatsu, onde recebe um salário líquido de US$ 1.200, cerca de metade do que ganhava como operário.

A família também ganhou fôlego depois que sua mulher conseguiu emprego com remuneração de US$ 2.000, o que permitiu ao casal matricular de novo o filho mais velho na escola - os três haviam saído depois da demissão do pai. Os mais novos ficam sob os cuidados da mãe de Tamayoshi, que também mora em Hamamatsu, assim como seus dois irmãos.

"Não é fácil voltar. Muitos brasileiros estão aqui há 10, 15 anos, já criaram raízes e acham que podem se virar melhor no Japão do que no Brasil", observa Zaha, 45, que chegou há 19 anos no país, onde nasceram suas duas filhas adolescentes.

SUBSÍDIO

Ana Cristina Shinohara, 40, passou os últimos 11 anos entre idas e vindas entre Brasil e Japão, onde ficou um total de seis anos nesse período. A brasileira trabalhava desde o início de 2008 em uma loja do McDonald?s, mas em setembro sofreu um acidente de trabalho e quebrou o pé. Um mês mais tarde, seu marido foi demitido.

Os dois moravam no apartamento da empresa com o filho do primeiro casamento de Ana, de 13 anos, e tiveram que desocupá-lo no dia 30 de novembro. Sem ter onde morar, a brasileira e seu filho foram para casa de sua mãe, enquanto o marido foi abrigado por amigos.

Dois meses depois, a família conseguiu se mudar para um apartamento da prefeitura destinado a pessoas em dificuldades, no qual o aluguel, subsidiado, custa US$ 120 ao mês.

Ana ficou com sequelas do acidente, tem dificuldade para andar e não pode voltar a trabalhar. Ela continua a ganhar o equivalente a 60% de seu salário, o que dá cerca de US$ 1.000 por mês, com os quais sustenta a família. A partir deste mês, o marido começará a receber o seguro-desemprego e poderá reforçar o orçamento doméstico.

Mesmo com as dificuldades, Ana não pensa em voltar para o Brasil. "Lá eu também não tenho emprego e não tenho onde morar. Minha irmã voltou e está ganhando R$ 500 por mês. Além disso, eu tenho um filho de 13 anos que está na escola japonesa desde 2005. Como vou levá-lo de volta?", pergunta.

A Associação Brasil Fureai também faz trabalho de pesquisa e divulgação dos benefícios sociais oferecidos pelo governo, que incluem ajuda para subsistência, auxílio para pagamentos de contas em hospitais e complementação de renda para famílias com filhos deficientes. A pesquisa realizada em fevereiro apontou que apenas 30% dos trabalhadores brasileiros estavam recebendo seguro-desemprego, apesar de índice de desocupação ter atingido 61%. A entidade iniciou uma campanha de esclarecimento junto à comunidade e o índice subiu para 60% em agosto.

O problema é que o benefício é dado por prazo definido e grande parte dos demitidos deixará de recebê-lo a partir do próximo mês. "Muitos vão ficar sem o seguro-desemprego e não terão outra alternativa a não ser voltar para o Brasil", ressaltou Francisco Freitas, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. Nessa situação está seu filho mais novo, demitido em março.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Dekasseguis ensinam alta tecnologia em fábrica no Brasil

Dekasseguis transferem alta tecnologia para fábrica fluminense de lentes ópticas Agência Brasil/Repórter Alana Gandra

Rio de Janeiro - Dezoito dekasseguis (brasileiros filhos de japoneses que foram trabalhar no Japão) voltaram ao Brasil e estão repassando a profissionais fluminenses os conhecimentos de alta tecnologia adquiridos em uma fábrica de lentes ópticas naquele país. Eles não chegaram a ter problemas por causa da crise financeira internacional, porque quase todos foram contratados diretamente pela filial brasileira da Hoya, inaugurada em novembro do ano passado, no Rio de Janeiro. Alguns foram indicados pela matriz.

No entanto, dekasseguis que ainda continuam trabalhando na fábrica no Japão já tiveram salário e carga horária reduzidos. A informação foi dada na segunda (6) à Agência Brasil pelo chefe de inspeção final do Setor de Qualidade da Hoya Lab, Guilherme Taguchi. Ele trabalhou na matriz japonesa nos últimos cinco anos.

De acordo com o gerente da unidade brasileira, Leonardo Martins, mão-de-obra especializada como essa não é encontrada com facilidade no Brasil. Daí o interesse da filial da Hoya de contratar técnicos que já vieram para o país com um elevado know-how (experiência) sobre o processo de fabricação e tratamento das lentes. "E não precisamos, assim, de um longo período de treinamento dos funcionários."

A empresa começou a funcionar há 16 anos no Brasil, com uma representação comercial da marca e fabricando apenas um produto. Atualmente, a marca produz no país 42 itens diferentes. As vendas cresceram e a empresa resolveu instalar uma fábrica no estado do Rio para atender à demanda. "Agora, com a construção do Hoya Lab, adicionamos um braço industrial que trará um crescimento previsto de 25% no primeiro ano de operação", disse Martins. A fábrica tem cerca de 90 empregados.

Segundo ele, a produção mensal não pode ser divulgada. "Ainda é um segredo fabril", por causa da concorrência, explicou.

Além de elevar o nível de produtividade e de qualidade dos produtos, a contratação dos dekasseguis contribui para reduzir o preço ao consumidor final. Se o produto fosse fabricado no exterior, teria custo bem maior, com taxa de importação, o que inviabilizaria ter um produto de nível tão avançado no Brasil. Então, ter o parque fabril aqui, com mão-de-obra local, facilita muito. Porque, além de melhorar a nossa economia, conseguimos também representar isso em preços melhores". A Hoya Lab produz lentes de grau e lentes de alta tecnologia e faz tratamentos anti-reflexivos de luz em lentes para melhorar a visão das pessoas.

Os dekasseguis que trabalham na filial brasileira são oriundos de São Paulo e do Paraná. Guilherme Taguchi considera o emprego no Rio de Janeiro uma boa oportunidade. "Aqui no Brasil a gente sabe que emprego também está muito difícil." Quando ele começou a trabalhar na fábrica japonesa, há cinco anos, a produção era de cerca de 15 mil lentes por dia, número que caiu agora para um quinto.

A queda não decorre apenas da crise internacional: a companhia abriu duas fábricas na Tailândia, onde a mão-de-obra é muito mais barata. "Um brasileiro no Japão daria para pagar dez tailandeses". No estado do Rio, a produção é bem menor, mas há perspectiva de aumento, pois, "a cada semana, as vendas estão aumentando", disse Taguchi. Com o passar do tempo, um único turno não vai sustentar a demanda, disse ele.

Quando começou a trabalhar no Japão, Taguchi recebia US$ 14 por hora. Hoje, os dekasseguis que continuam na fábrica japonesa tiveram o salário diminuído para cerca de US$ 10 por hora.

www.shigoto.com.br

Detalhes do programa de ajuda a nikkeis

Veja abaixo os detalhes do programa

Como pedir ajuda financeira para retorno aos respectivos países
A ajuda financeira será oferecida pelo governo japonês, a fim de cobrir despesas provenientes de viagem e preparo, a quem desistir de procurar novos empregos no Japão e decidir retornar ao seu país de origem à procura de novos empregos em seus países, devido à grave crise econômica. Quem desejarem aproveitar esta ajuda financeira, antes de efetuar o preparo dos documentos e reserva do bilhete de avião, queiram-se dirigir a One Stop Corner e Hello Work.

Quem tem direito de requerer
Quem possuir nacionalidade brasileira, peruana e dos outros países da Latina América, com visto de permanência, casados/as com parceiros/as japoneses/as, caasados/as com quem têm vistos de permanência e possuir visto de longa permanência.

Documentos necessários ao requerimento
Serão necessários satisfazer todos os seguintes requisitos mencionados abaixo:
* Ter legalmente ingressado, estado e trabalhado no Japão antes do início desta ajuda financeira (antes do dia 31 de março de 2009) e posteriormente sido desempregado.
* Apesar de ter procurado emprego, desistir do mesmo e decidir retornar aos seus países e prucurar novos empregos lá.
* Quem já tenha reservado bilhetes de avião, através de companhia aérea ou agência de viagem, etc., para retorno aos seus países.
* Quem não pretender regressar no Japão, sob as seguintes condições, tais como:
Após seu retorno ao seu país de origem, ter decidido que não regressará no Japão, inclusive a reentrada, com o mesmo visto igual ao presente.

O valor a ser oferecido
O requerente: ¥300,000
O integrante dependente: ¥200,000 (por cada integrante)

Os processos do requerimento
Quem se interessar nesta ajuda financeira, primeiramente deve confirmar se realmente satisfazer ou não os requerimentos acima mencionados, devendo arranjar, com antecedência, bilhetes de avião para retorno aos seus países. (O requerente precisará fazer a reserva do bilhete de avião, com a plena antecedência, que lhe dará, aproximadamente, após mais ou menos 3 semanas a partir do dia do requerimento, pois demorará o processo do requerimento desta ajuda financeira. Integrante/s da sua família precisará viajar no mesmo vôo do requerente. Ao reservar o vôo, o requerente deverá avisar a companiha aérea ou agência de turismo que o mesmo reservará o bilhete de avião, com esta ajuda financeira.
Após concedida a permissão de ajuda financeira, despesa de viagem, tais como, bilhete de avião, taxas e outros será reembolsada para companhia aérea ou agência de viagem.
Assim que, confirmar sua saída do Japão, o resto das despesas, além das provenientes da viagem, será repassada nas contas bancárias dos seu países.

Documentos necessários ao requerimento
A. Documento necessário para solicitar ajuda financeira
B. Bilhete de avião, etc. Precisará dos documentos em que se consta o número do conta bancária, a fim de repassar o dinheiro para bilhete de avião, emitido pela companhia aérea ou agência de turismo com antecedência.
C. Atestado original e a cópia da carteira do registro de estrangeiro (Cópia)
D. um dos documentos abaixo mencionados de (a) a (c) ;
(a) Carteira de seguro de emprego (cópia),
(b) Atestado de demissão,
(c) Um atestado que comprove a apresentação do documento, para adquirir a carteira de seguro de trabalho, como o titular vigente (cópia).
E. Um dos documentos de (a) a (c) abaixo mencionados;
(a) Atestado de demissão (cópia)
(b) comprovante de salários recebidos e/ou "holherit" (cópia)
(c) carteira de seguro de saúde(cópia)
F. Um documento que declare que os requerentes não possuem intenção de regressarem no Japão, após seu retorno aos seus países de origem. (Cópia)
A fim de repassar o dinheiro ao seu país de origem, precisará da conta bancária disponível, tanto para saque no seu país de origem, quanto para remessa em dólar americana.
G. Um dos documentos abaixo mencionados:
(a) Carteira de Habilitação
(b) Carteira do seguro da saúde
(c) correspondência destinada ao requerente
H. Serão necessários todos os documentos de (a) a (b) abaixo mencionados, caso requerentes retornem sozinho aos seus países;
(a) Atestado dos itens constados na carteira original do registro de estrangeiro
(b) Documentos de C, sobre sua família
* Os documentos de A a G dos acima mencionados serão necessários a quem retornar sozinho aos seus países (D será necessário a quem tiver direito de receber seguro de emprego e E será necessário ao restante dos requerentes).
Os documentos de A a G, além de H, serão necessários a quem retornar aos seus países com suas famílias.

Cuidados necessários ao requerimento
1. Sendo o valor da ajuda financeira já determinado, o próprio requerente deverá pagar a diferença do seu bilhete de avião. O restante do valor da ajuda financeira será oferecido, conforme cotação do dia da remessa.(P)
2. O próprio requerente deverá efetuar a reserva do bilhete de avião para seu retorno ao seu país de origem. (A sua família precisará usar o mesmo vôo do requerente.) Outrossim, ao efetuar a reserva, o requerente deverá avisar claramente a companhia aérea ou agência de turismo, que o mesmo fará a mesma, através desta ajuda financeira, além de requerer o documento que consta o número da conta bancária para remessa.
3. Deverá reservar o bilhete de avião para seu retorno, após mais ou menos 3 semanas, a partir do dia do requerimento.
4. Caso surja multa de desistência/cancelamento, devido aos problemas causados pelo requerente, tal deverá ser paga por ele próprio.
5. O recebimento desta ajuda financeira não lhe aprovará, por enquanto, a aprovação de regresso no Japão, com o visto igual ao presente, inclusive a reentrada.
6. Ao receber a ajuda financeira, precisará preparar a conta bancária, com antecedência, disponível tanto para saque no seu país de origem quanto para remessa do dinheiro em dólar americano.
7. Após a aprovação da ajuda financeira, não poderá receber o valor básico do seguro do trabalho.
8. O ato do requerimento não significará a aprovação da ajuda financeira, sendo que o seu requerimento estará sujeito à avaliação posterior.
9. Caso haja posterior cancelamento da aprovação, mesmo após a sua aprovação para ajuda financeira, incidirá o requerente na obrigação de efetuar a devolução.
10. O governo do Japão e o Centro de Amparo ao Emprego e Indústria não se responsabilizarão por quaisquer prejuízos do requerente, causados pela aprovação ou cancelamento da mesma da ajuda financeira.
11. As informações pessoais do requerimento serão oferecidas aos orgãos do governo, para fins de processos operacionais.

Equipe Shigoto.com.br