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sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Primeira-ministra do Japão quer mudar lei para permitir que trabalhadores façam mais horas extras

Segundo o governo, o objetivo é permitir que pessoas “trabalhem mais, se quiserem”, aproveitando “a capacidade e o desejo individual de crescimento”

jornada de trabalho e horas extras
A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, orientou o ministro da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, Kenichiro Ueno, a revisar as restrições sobre jornada de trabalho e horas extras, informou o Tokyo Shimbun nesta sexta-feira (24).

A medida, vista como uma possível flexibilização das regras atuais, preocupa especialistas, que alertam para um retrocesso nas políticas de reforma trabalhista e um risco crescente à saúde dos trabalhadores.

A Lei de Reforma no Estilo de Trabalho, em vigor desde 2019, limitou as horas extras a 45 por mês e 360 por ano. Com acordo entre empregadores e empregados, o teto pode chegar a 100 horas mensais ou média de 80 horas por vários meses, totalizando 720 horas anuais.

Essas regras foram criadas após o caso de karoshi (morte por excesso de trabalho) de uma funcionária da agência de publicidade Dentsu. O episódio chocou o país e impulsionou mudanças legais para proteger a saúde mental e física dos trabalhadores.

Governo fala em “reforma para quem quer trabalhar mais”
Durante as eleições para a Câmara Alta do Parlamento em julho, o Partido Liberal Democrata (PLD) defendeu uma nova abordagem chamada “reforma para quem quer trabalhar”.

Segundo o governo, o objetivo é permitir que pessoas “trabalhem mais, se quiserem”, aproveitando “a capacidade e o desejo individual de crescimento”.

Empresários pressionam por mais flexibilidade
Do lado empresarial, há pressão para flexibilizar os limites de horas extras. Os executivos alegam que as restrições atuais dificultam a produtividade em meio à escassez de mão de obra.

Para os empregadores, permitir mais horas seria uma forma de atender à demanda de quem quer trabalhar e ganhar mais.

No entanto, especialistas afirmam que a proposta atende aos interesses das empresas, não dos trabalhadores.

Segundo cálculos do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, apenas 6,4% dos trabalhadores desejam aumentar a carga horária, e só 0,1% afirmam querer ultrapassar o limite de 80 horas extras mensais.

Outra pesquisa mostrou que a maioria quer reduzir o tempo de trabalho, e não ampliá-lo.

Risco de volta ao excesso de trabalho
De acordo com o Tokyo Shimbun, mesmo que a escolha pareça voluntária, poucos trabalhadores têm real liberdade para decidir suas horas ou tarefas.

Se o governo afrouxar as regras, há o perigo de as empresas voltarem a impor longas jornadas, ampliando o risco de karoshi.

Pesquisas indicam que resolver a falta de mão de obra e simplificar as tarefas são caminhos mais eficazes para reduzir as horas extras.

Em vez de incentivar o excesso de trabalho, as empresas deveriam melhorar o ambiente corporativo, garantindo produtividade e bem-estar, publicou o jornal.
Fonte: Alternativa

quarta-feira, 29 de março de 2023

Japão pode enfrentar escassez de mais de 10 milhões de trabalhadores em 2040

A pesquisa é baseada em estimativas de futuro Produto Interno Bruto (PIB) e proporções de trabalhadores por gênero e geração

escassez de mão de obra
Uma projeção feita por um instituto de pesquisa do Japão mostra que o país pode enfrentar uma escassez de mais de 10 milhões de trabalhadores em 2040, quando os filhos dos baby boomers pós-guerra terão completado 65 anos ou mais.

O Recruit Works Institute, um instituto de pesquisa de uma grande companhia de serviços de informação, a Recruit, divulgou a previsão, que é baseada em estimativas de futuro Produto Interno Bruto (PIB) e proporções de trabalhadores por gênero e geração.

As províncias do Japão, com exceção de Tóquio, sofrerão falta de trabalhadores. A taxa de escassez será de mais de 20% em 18 províncias, ou cerca de um terço delas.

O número deve passar de 30% em províncias como Quioto, Niigata e Nagano. Enquanto a demanda por trabalho provavelmente será alta porque terá uma certa escala econômica, faltará trabalhadores devido a um declínio nos nascimentos junto com uma população em envelhecimento.

Por outro lado, a previsão é de que escassez de mão de obra nas províncias de Shimane, Kagawa e Toyama será baixa porque a demanda para trabalhadores diminuirá nessas áreas.

Por setor, a taxa de escassez de mão de obra deve ser alta entre trabalhadores nos serviços de cuidados de enfermagem a 25.3%, seguido por atendentes, motoristas e na construção civil.

Shoto Furuya, pesquisador no instituto, disse que a escassez estrutural de trabalhadores tornará a situação de economias locais ainda pior. Ele continuou, dizendo que o Japão será incapaz de resolver o problema a menos que as pessoas mudem seus pensamentos.
Fonte: Portal Mie com NHK

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Coronavírus deixou 22% dos estrangeiros sem trabalho em Shizuoka, diz pesquisa

Além disso, 13% disseram que foram obrigados a tirar seus filhos das escolas
estrangeiros residentes no Japão

Uma pesquisa realizada pelo governo de Shizuoka mostrou que 22% dos estrangeiros residentes na província ficaram desempregados devido aos efeitos do coronavírus, informou o Shizuoka Shimbun nesta quarta-feira (22).

A pesquisa, realizada entre 5 e 30 de junho, coletou informações pela internet, redes sociais e também ouviu estrangeiros, incluindo brasileiros, que moram em apartamentos públicos administrados pela província.

De acordo com o levantamento, 22,1% disseram que perderam o emprego por causa da pandemia e que estavam procurando um novo trabalho. Quase metade dos estrangeiros respondeu que o emprego foi mantido, mas o salário diminuiu, e 16% relataram que o coronavírus não teve nenhuma influência em seus trabalhos.

Além disso, 13,1% dos estrangeiros disseram que foram obrigados a tirar seus filhos das escolas japonesas, internacionais ou brasileiras por não terem condições de arcar com os gastos educacionais e 3,4% estão pensando em fazer o mesmo.

O Departamento de Convivência Multicultural da Província de Shizuoka, que conduziu a pesquisa, disse que vai estudar uma forma de ajudar os estrangeiros afetados por intermédio de entidades que oferecem apoio.

Uma nova pesquisa deverá ser feita em setembro porque os casos de coronavírus no Japão voltaram a aumentar e isso pode afetar ainda mais o mercado de trabalho para os estrangeiros.
Fonte: Alternativa

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Empresas japonesas preferem acolher trabalhadores estrangeiros qualificados, mostra pesquisa

Apenas 38% são a favor de permitir que trabalhadores não qualificados entrem no país
trabalhadores estrangeiros qualificados
A maioria das empresas japonesas apoia o afrouxamento do sistema de imigração do país para lidar com uma grave escassez de mão de obra, mas favorece estrangeiros qualificados que podem se adaptar ao local de trabalho, e não um fluxo de trabalhadores não qualificados, mostra uma pesquisa da Reuters divulgada nesta segunda-feira (20).

O mercado de trabalho do Japão sofre com a pior falta de mão de obra em quase meio século e o governo abriu a porta para permitir que estrangeiros trabalhem em áreas como agricultura, cuidados a idosos e lojas de conveniência.

Mas em uma sociedade que há muito valoriza sua homogeneidade, o governo insiste que essas medidas não equivalem à imigração aberta. A Reuters Corporate Survey descobriu que as empresas japonesas fazem uma distinção entre estrangeiros autorizados a trabalhar temporariamente porque passam por testes de adequação, o que não ocorre com imigrantes não qualificados.

O governo divulgou em junho planos para dar permissões de trabalho de cinco anos para estrangeiros em certas categorias. As autoridades também estão considerando permitir que trabalhadores estrangeiros que passarem por certos testes permaneçam indefinidamente e tragam suas famílias - o que representaria grandes mudanças para o Japão.

A pesquisa mensal da Reuters revelou que 57 por cento das grandes e médias empresas japonesas empregam estrangeiros e 60 por cento preferem um sistema de imigração mais aberto. Mas apenas 38 por cento são a favor de permitir que trabalhadores não qualificados entrem no país para aliviar a escassez de mão de obra.

"No geral, as empresas japonesas continuam cautelosas em aceitar trabalhadores estrangeiros", disse Yoshiyuki Suimon, economista sênior da Nomura Securities, que analisou os resultados da pesquisa.

“Eles estão conscientes da necessidade de aceitar imigrantes no longo prazo, mas por enquanto estão tentando lidar com a escassez de mão de obra através do investimento em automação e tecnologia. Restaurantes e varejistas também estão fazendo uso ativo de estudantes estrangeiros que têm permissão para trabalhar 28 horas por semana", disse ele.

A pesquisa, realizada para a Reuters pela Nikkei Research entre 1º e 14 de agosto, analisou 483 empresas com capital de pelo menos 1 bilhão de ienes.

Enquanto algumas empresas viam trabalhadores estrangeiros não qualificados como fonte de mão de obra barata, outras se preocupavam com o custo para seus negócios de educação e administração, citando barreiras culturais e linguísticas.

O número de estrangeiros no Japão mais do que dobrou na última década, para 1,3 milhão, mas isso permanece abaixo de 2% da força de trabalho total, comparado a 10% na Grã-Bretanha, 38% em Cingapura e 2% na Coreia do Sul.

Alguns entrevistados expressaram preocupação de que abrir as portas para trabalhadores estrangeiros seria uma ameaça à segurança pública e à estabilidade social, alguns citando a Europa, onde as atitudes em relação à imigração se endureceram, e aumentariam os custos de bem estar.

"Funcionários estrangeiros em nossa empresa são engenheiros que se formaram em universidades japonesas", disse um gerente de uma empresa de máquinas elétricas, que respondeu à pesquisa.

"Esses funcionários são trabalhadores que falam japonês e estudaram a teoria da tecnologia na universidade", disse o gerente. “Vamos considerar aceitar esses trabalhadores, mas não há espaço para estrangeiros não qualificados em nossa empresa”, ressaltou.

O resultado da pesquisa sugere que as empresas estão ligeiramente mais receptivas a estrangeiros em relação ao levantamento da Reuters em março de 2017, com pessoas que empregam estrangeiros crescendo 5 pontos, para 57%, e aquelas que desejam contratar estrangeiros não qualificados aumentando 4 pontos, para 38%.
Fonte: Alternativa com Reuters